domingo, 27 de julho de 2008
04:57 am
O jeito dele é que me deixava assim, virada do avesso. Aquele andar, aquele olhar por cima de todos, como se nunca esperasse nada de ninguém, ele andava como se todos o olhassem, e ele sequer notasse a presença dos demais. Algumas vezes me senti descartável, outras me senti num pedestal, o desenho no seu peito, o cheiro, o cigarro, era tudo atraente demais. Embora tivesse mil facetas, eu sempre achava aquela que mais me agradava, e me agarrava a ela como se as outras novecentas e noventa e nove não existissem. Aquele era meu refúgio, durante as poucas horas que estivemos juntos. As horas passavam rápido demais, pior que deixá-lo era esperar por aquilo que eu sabia que nem tão cedo seria meu, na verdade sabia que nunca seria. Mas eu era conduzida até ele, por um fio invisivel, existia algo que nos ligava, pelo menos eu queria que estivéssemos ligados, e de alguma forma sentia isso. Inconscientemente. Queria tanto ser a paz dele, quis tanto que ele fosse meu encontro, quis tanto que ele precisasse de mim, que me ligasse no meio da noite e me perguntasse onde estava, o que fazia e com quem, e que queria estar ao meu lado. Ou apenas me ligasse e dissesse: Me deu saudade da sua voz. Pensando melhor, a minha necessidade de necessitar falou mais alto, a apaixonante de idéia de se apaixonar me apaixonou. Menti de novo, nada disso. Foram poucos, mas muitos momentos. Sem plástico, puro ferro. Nada de cigarros picados, o maço. Sem dia, mais noites. Nada de frescor, tudo quente demais. Sem tranquilidade, puro clímax. Sem me consumir por dias, mas por ter voltado hoje, é dentro de você que mais me afasto.
02:32 am
Fiquei por horas escrevendo, escrevendo...Pior que admitir que ele voltou, é admitir que ele não tinha ido embora, ela disse.Felizmente não se tornou poeira, ainda queima, um flash-back incompreensível, outra noite pensando, outra noite cheia de você.Ela completou que as pessoas descartáveis estavam se esvaindo, e que as que voltavam não sabiam o motivo pelo qual estavam ali, apenas estavam e não necessitavam saber o porquê.Essa ternura que cresce escondido, mas é vista a olhos nus, é levada da mesma maneira, vai e dificilmente volta.Densa e frustrante.Por fim, ela deixou o endereço e foi embora.Ela se foi mas está sempre aqui, ela foi embora mas volta todos os dias, e sussura nos meus ouvidos recados para todos nós, a cada discussão ela me dá alguns conselhos, ela anda alheia por aí, sem dono, carrega na mão um perfume bom, para quando voltar, voltar perfumada e me contar as grandes novidades.Ou talvez ficar ao meu lado, me lembrando de tudo que ele fez.
sábado, 26 de julho de 2008
Às vezes eu me perco.
Perco-me e não consigo voltar. Permaneço no erro, mesmo sabendo que tudo depende do que escolho ou não.
Às vezes certos sentimentos me invadem.
E sou toda eles, não percebo o quanto me fazem mal. Ou percebo e me deixo consumir, talvez veja glamour onde os outros não o enxerguem.
Talvez o meu relaxamento faça com que me deixe levar por todas as sensações, talvez queira inconscientemente sentir tudo de maneira tão densa, que acabe conseguindo.
Posso também estar dramatizando tudo, como sempre fiz bem até demais, talvez me ache infantil e superficial . Talvez veja em todos ao meu redor babacas, talvez, sempre talvez, nunca certeza de nada.
Talvez eu tenha acordado.
Perco-me e não consigo voltar. Permaneço no erro, mesmo sabendo que tudo depende do que escolho ou não.
Às vezes certos sentimentos me invadem.
E sou toda eles, não percebo o quanto me fazem mal. Ou percebo e me deixo consumir, talvez veja glamour onde os outros não o enxerguem.
Talvez o meu relaxamento faça com que me deixe levar por todas as sensações, talvez queira inconscientemente sentir tudo de maneira tão densa, que acabe conseguindo.
Posso também estar dramatizando tudo, como sempre fiz bem até demais, talvez me ache infantil e superficial . Talvez veja em todos ao meu redor babacas, talvez, sempre talvez, nunca certeza de nada.
Talvez eu tenha acordado.
quinta-feira, 17 de julho de 2008
domingo, 6 de julho de 2008
minha metade
Não meu amor, você não é nada pra mim.
Eu gosto de chafurdar na dor, gosto da minha garganta seca e os meus olhos ardendo.
Gosto quando um cigarro me acalma, e isso não tem a ver com você.
Todas as vezes que você me disse que ia fumar um cigarro, eu me transportava pros seus dedos, e então era limitada a esse toque, esse teu toque que durante aquela fração de segundos me fazia tão bem, e depois deixava eu me perder.
Perder-me dentro do meu labirinto de dúvidas, visões e supostas situações que eu mesma criava pra me sentir mais mulher pra você.
Eu não estou desesperada, não mais que sempre estive.
Não me lembro de um tempo onde não era assim, não me lembro da calmaria, mas eu gosto de me sentir viva, e francamente benzinho, a felicidade deixou de me atrair no instante que comecei a ver vocês como uma possibilidade de resolver minha carência.
Já escrevi demais e em tão pouco tempo, que fui obrigada a apagar tudo e começar de novo mais de dez vezes. E descobri que apagar é muito mais fácil do que outrora imaginei. Apagar é quase que imperceptível aos nossos olhos.
O tempo passa, o sangue escorre, a feriada cicatriza e ponto final.
E a cada gole de vodca você percebe que toda essa questão não passou do seu ego berrando por amor, e o que faltava era amor próprio.
Conhecer você foi talvez tragicamente igual a me conhecer, e não conheci nem metade do que você é.
Não que eu me conheça muito bem, com dezesseis anos provavelmente você também não se conhecia, nem hoje, aliás, você vai demorar a se conhecer, não consigo enxergar essa habilidade em você.
Você só enxerga o que te faz bem, e provavelmente, não vai gostar de saber quem é. Como eu não gostei, e ninguém gosta.
Você é bicho, e fim.
Mesmo suja demais, continuo a mesma, sem paciência, encontrando sempre uma maneira de ver os defeitos, ressaltá-los, sendo crítica demais.
Enquanto vocês corações, fingirem, usarem uns aos outros, eu vou estar aqui, sem saco pra ninguém, indo pra um lugar que ainda não descobri onde fica.
Eu gosto de chafurdar na dor, gosto da minha garganta seca e os meus olhos ardendo.
Gosto quando um cigarro me acalma, e isso não tem a ver com você.
Todas as vezes que você me disse que ia fumar um cigarro, eu me transportava pros seus dedos, e então era limitada a esse toque, esse teu toque que durante aquela fração de segundos me fazia tão bem, e depois deixava eu me perder.
Perder-me dentro do meu labirinto de dúvidas, visões e supostas situações que eu mesma criava pra me sentir mais mulher pra você.
Eu não estou desesperada, não mais que sempre estive.
Não me lembro de um tempo onde não era assim, não me lembro da calmaria, mas eu gosto de me sentir viva, e francamente benzinho, a felicidade deixou de me atrair no instante que comecei a ver vocês como uma possibilidade de resolver minha carência.
Já escrevi demais e em tão pouco tempo, que fui obrigada a apagar tudo e começar de novo mais de dez vezes. E descobri que apagar é muito mais fácil do que outrora imaginei. Apagar é quase que imperceptível aos nossos olhos.
O tempo passa, o sangue escorre, a feriada cicatriza e ponto final.
E a cada gole de vodca você percebe que toda essa questão não passou do seu ego berrando por amor, e o que faltava era amor próprio.
Conhecer você foi talvez tragicamente igual a me conhecer, e não conheci nem metade do que você é.
Não que eu me conheça muito bem, com dezesseis anos provavelmente você também não se conhecia, nem hoje, aliás, você vai demorar a se conhecer, não consigo enxergar essa habilidade em você.
Você só enxerga o que te faz bem, e provavelmente, não vai gostar de saber quem é. Como eu não gostei, e ninguém gosta.
Você é bicho, e fim.
Mesmo suja demais, continuo a mesma, sem paciência, encontrando sempre uma maneira de ver os defeitos, ressaltá-los, sendo crítica demais.
Enquanto vocês corações, fingirem, usarem uns aos outros, eu vou estar aqui, sem saco pra ninguém, indo pra um lugar que ainda não descobri onde fica.
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