Palhaços não fazem rir, e as desgraças não assolam seu coração.
É assim que tem sido, gelo, puro gelo.
Desde que tudo voltou ao pó, você não tem casa, não procura por amor, não precisa de ninguém, e pouco se importa com o que vão pensar das suas escolhas.
Escolhas que outrora significavam muito, mas você não se importa mais, e não existe ninguém mais mesmo, ninguém sofre as consequências, elas não existem.
Só os fracos sofrem disso, você aspira soluções, não tem problemas.
Você não pensa em como vai estar amanhã, mas em como vai aproveitar a noite.
Você diz a todos que sabe perfeitamente o que acontece na sua vida, entretanto transborda rebeldia, exala emoção.
Emoção, a inimiga mortal da razão, que por muitas vezes acabou com você, que lhe atirou no chão, e somente uma dose única, fatal de razão foi capaz de lhe arrancar de onde estava.
Ainda que você tente, seu estado natural nunca voltará a ser o que antes era, o que você procura hoje, ontem era o que lhe assombrava, era o que você mais detestava.
Ninguém consegue lhe freiar, não existem freios, só o acelerador.
Você não precisa freiar, a velocidade sempre lhe pareceu mais bela, mais excitante.
E você só precisa disso, de excitação, pelo resto da vida, em cada momento, a cada chegada, a cada derrota, a cada primeiro lugar, durante todo o percurso, até o dia em que tudo volta ao pó, no dia em que os palhaços não o farão rir, e as desgraças não assolarão seu coração. Nesse dia tudo virou gelo, puro gelo.

Um comentário:
Parabens texto muito interessante e uma verdade nunca voltamos a ser quem nos eramos!
Postar um comentário